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Entrevista – Beetools: Os Sinais da Escola do Futuro

Aprender, desaprender e reaprender a ensinar. Essa é a premissa da Beetools, smart school para o ensino de idiomas, nascida no âmbito de uma Startup. Com resultados expressivos antes mesmo de seu lançamento oficial para o mercado, em junho de 2018, a Beetools, uma escola 100% digital com sistema híbrido (virtual e físico), hoje a empresa já tem 24 contratos firmados, em três Estados, com 5 unidades físicas em Curitiba (PR), e até o final de 2019 serão mais 11 em operação. E vem mais pelo caminho – leia no box abaixo.  

O que impulsionou o início das operações da Beetools, além de muita tecnologia, inovação e criatividade, foi o benefício da reflexão, de questionar o mercado e, a cada dúvida, uma nova descoberta, upgrade, reinvenção e botar para fazer.

A Beetools nasceu do desejo de um professor e proprietário de escolas de idiomas de inglês, Fabio Ivatiuk, e de uma startup de tecnologia. Com o objetivo comum de transformar o ensino de idiomas no Brasil, a simbiose se deu a partir da junção da tecnologia, expertise do time da Beenoculus, uma venture builder de tecnologia de eXtended Reality, cofundada por Rawlinson Peter Terrabuio.

O projeto começou a tomar forma a partir das dúvidas e questionamentos de Ivatiuk e Rawlinson: para eles, sempre foi incompreensível como – e apesar de tantas escolas de inglês no Brasil – apenas 3% da população seja fluente no idioma.

Para os fundadores da Beetools, alguma coisa estava fora da ordem e não estava dando certo no ensino de idiomas. Era preciso inovação e tecnologia para tornar a educação disruptiva e condizente com a era em que vivemos. A constatação partiu da percepção de alguns sintomas: o aluno não tem interesse em ir às aulas, há alta desistência do curso e quem conclui o curso não consegue dominar o idioma completamente.

A Beetools resolveu alguns problemas crônicos comuns a diversas instituições de ensino. Criou um modelo desburocratizado e eliminou a inadimplência. O sistema híbrido de ensino, com aulas presenciais nas unidades físicas e virtuais, através de aplicativo para smartphones e tablets, possibilita ao aluno comprar créditos pré-pagos de hora-aula e fazer o agendamento conforme sua disponibilidade de horário nas escolas que já estão em operação em Curitiba (PR) – para os alunos, há ainda recursos online de uma plataforma que utiliza inteligência artificial IBM Watson, uso de big data e gamificação.

“A tecnologia uniu o tempo e o espaço, onde otimizamos de forma a atender diversos alunos ao mesmo tempo, independentemente do módulo ou nível de conhecimento. O professor tem acesso aos dados, por meio de um dashboard, com gráficos, onde faz a avaliação de aprendizagem e desempenho de cada aluno”, aponta o cofundador da Beetools.

“É preciso acompanhar a evolução da tecnologia e resolver como a escola vai sair da era industrial para entrar no futuro, na era da escola cognitiva”. Rawlinson Terrabuio.

A Escola do Futuro

O desenho de negócio da Beetools vislumbra como deve ser a escola do futuro. A base, com a chamada sala de aula invertida, coloca o professor como um guia para o aluno, porque deixa de ser o único emissor e fonte de conhecimento. Alia-se a isso a inclusão da tecnologia, com inteligência artificial, uso de big data, gamificação e realidade virtual.

“Há mais de 20 anos pesquisamos como inserir a tecnologia na educação em linguagem natural, ou seja, na concepção de uma plataforma tecnológica que permita seu uso sem a necessidade de capacitação prévia de professores e alunos”, diz Rawlinson.

Segundo Rawlinson, há mais de uma década os avanços da computação móvel e a leitura do mundo através de câmeras, sensores, microfones, computação háptica e visão e audição computacional permitiram chegar a um modelo escalável como o desenhado pela Beetools. “A evolução da computação, que hoje chamamos de eXtended Reality e que envolve realidade virtual, aumentada e mista, é inexorável, com suas novas linguagens de comunicação incorporadas ao cotidiano das escolas e realizará a transformação digital necessária”, resume.

Ciente da fase detransição tecnológica que permeia a sociedade e a educação, Rawlinson aponta para uma escola do futuro 100% digital, em seus aspectos práticos no auxílio à aprendizagem. A forma de incorporação da tecnologia, como é feita pela Beetools para o ensino de idiomas, é um dos sinais do que está por vir.

Coleta de dados (Big Data), inteligência artificial e realidade virtual são exemplos de como a tecnologia pode ser uma aliada do aluno e do professor para tornar a escola mais contemporânea, inclusiva e interessante. Entre os benefícios da tecnologia, Rawlinson destaca o poder de teletransportar o aluno para além do seu meio e de sua realidade.

Na visão do empresário, o ensino será cada vez mais transdisciplinar, fará a conexão do aluno com o mundo (realidade virtual), integrará o conjunto de inovação e disrupção para avaliar a aprendizagem (big data) e permitirá respostas cada vez mais precisas, para alunos e professores, sobre a aquisição de conhecimentos e individualização do ensino – caso do uso da inteligência artificial.

“Isso só será possível quando pensarmos em três pilares essenciais: trazer significado para o aluno, gerar interesse e incorporar sentimentos e emoções nas atividades. Porque, de acordo com os mais recentes estudos da neurociência, é assim que nosso cérebro aprende”, ressalta Rawlinson.

A escola do futuro estará dentro de dispositivos móveis?

Para Rawlinson, o ecossistema educacional pode ajudar a dissipar a dicotomia Humano X Inteligência Artificial. Ele acredita que nenhuma tecnologia tem como fazer juízo de valor, tratar de questões éticas e morais e quem olha para o indivíduo e o conduz ao conhecimento é o professor, porque isso é um aspecto intrinsicamente humano, essa é a singularidade. “O professor tem a sensibilidade de reconhecer as habilidades de cada aluno, suas aptidões e potenciais e inspirá-lo em suas competências. Ele (o professor) continua sendo a base da educação”.

Projetos como os desenvolvidos pela Beetools sinalizam a escola do futuro. Mas, segunda Rawlinson, o que falta agora é compreender como o modelo pode ser aplicado na escola tradicional, aquela que tem sistema pedagógico e grade curricular pré-definidos. “É preciso acompanhar a trajetória de evolução da tecnologia e, ao mesmo tempo, resolver como a escola vai sair da era industrial para entrar no futuro, na era da escola cognitiva”, conclui o empresário.

Aceleração no Vale do Silício*

Recentemente, a Beetools foi uma das 50 Startups selecionadas no Global Startup Program 2019, iniciativa da Singularity University, do Vale do Silício. O programa tem duração de 12 meses e o objetivo é transformar startups de diferentes setores em empresas robustas, com escalabilidade de até dez vezes mais, para que seus produtos e serviços tenham um impacto global. A expectativa da instituição é que os resultados do projeto possam atingir um bilhão de pessoas por meio da tecnologia exponencial, como inteligência artificial.

“A empresa nasceu com o objetivo de revolucionar o ensino de idiomas. Com esta oportunidade única, temos certeza que este sonho vai se tornar realidade em uma escala global. Lá estaremos trabalhando com pessoas inovadoras e com o mesmo propósito: causar um impacto no mundo, transformando-o por meio da tecnologia”, disse Fábio Ivatiuk, CEO da Beetools.

A Singularity University é uma comunidade global de aprendizado e inovação que usa tecnologias exponenciais para enfrentar os maiores desafios do mundo e construir um futuro abundante para todos. A instituição fica em uma base de pesquisa da NASA, na Califórnia, e foi fundada por Peter Diamandis e Ray Kurzweil em 2008. Ela tem o apoio de organizações como Google, Deloitte e UNICEF.

*Com informações da TI Inside

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  1. Animal, essa é a melhor forma de ensino e que vai revolucionar todo o mercado de educação. Já venho falando nisso há anos, desde que conheci o projeto Watson da IBM e dá uma felicidade ver isso sendo aplicado. Muito sucesso para vocês Beetools, vou acompanhar seu trabalho torcendo para uma escalada disruptiva.

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