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Inovação: “A principal barreira para inovar em educação é a cultura da sociedade”

Especialista fala sobre a dificuldade para criar um modelo de ensino disruptivo e aponta quais tendências têm se destacado no setor

Inovar em educação não é tarefa simples. Embora algumas iniciativas saltem aos olhos por romper com o conceito de escolas que conhecemos, em geral elas são casos isolados, que atendem a um número reduzido de estudantes. E nesse cenário, nem todas conseguem manter seu sucesso inovador. Um dos exemplos mais emblemáticos nesse sentido, a Steve Jobs School, surgiu na Holanda com o princípio de oferecer tecnologia aos alunos e romper com o estereótipo de sala de aula. Alguns anos após seu boom comercial, a instituição passou a enfrentar dificuldades e questionamento dos pais em relação ao método de ensino e aos resultados nas avaliações de aprendizagem.

Em qualquer lugar do mundo, a principal barreira para inovar em educação é a cultura da sociedade, segundo Thiago Chaer, especialista em tecnologia educacional e CEO da Future Education, aceleradora de empreendimentos e startups do setor. “Quando falamos em criar uma escola disruptiva, de baixo custo, com individualização da aprendizagem e que consiga atender ao maior número de pessoas, temos de nos lembrar dos pais que foram formados a partir de um modelo tradicional e às vezes esperam que seus filhos passem por aquele mesmo modelo”, afirma.

Ainda de acordo com o especialista, a rapidez da transformação digital traz dificuldades para as escolas oferecerem evidências de que a inovação sugerida para as aulas esteja, de fato, garantindo o aprendizado do aluno. “O pai fica reticente. Passa um ano ou dois, ele não vê grandes resultados, não consegue fazer a relação entre a inovação e o que ele mesmo aprendeu na escola, e acaba procurando outro modelo.” Contudo, segundo o especialista, embora seja difícil romper com as barreiras, cada vez mais escolas no Brasil já vêm tentando incorporar novidades a seus formatos de ensino.

QUATRO NOVIDADES QUE ESTÃO CHEGANDO ÀS ESCOLAS


Para fugir do formato da sala de aula tradicional, escolas apostam em inovações como espaço maker e personalização do ensino

Cultura maker: esse tipo de movimento traz inovação incremental ao que antes acontecia em atividades “mão na massa” ou oficinas de sucata. “Elas eram isoladas do currículo, mas a cultura maker atual busca ir além e fazer a integração com as demais disciplinas, como matemática, línguas e ciências, usando os elementos já conhecidos e outros novos, como robótica e impressoras 3D”, explica Chaer.

Habilidades socioemocionais: relacionadas à maneira como a pessoa lida emocionalmente consigo mesma e com outros a sua volta, e estão sendo cada vez mais incorporadas nas escolas, seja em aulas exclusivas, seja dentro das disciplinas curriculares. Segundo o especialista, há casos também em que o tema aparece junto com a cultura maker.

Personalização da aprendizagem: é um conceito amplo que se aplica a todas as etapas de ensino e se propõe a oferecer atividades personalizadas de acordo com as demandas e com os avanços de cada estudante, usando tecnologia de ponta. Essa questão é um enorme desafio para escolas e startups, pois requer altos recursos humanos e financeiros para construir um algoritmo e uma solução suficientemente sofisticada que atenda cada aluno.

Gestão escolar: além das soluções voltadas para a aprendizagem do estudante, também há vários tipos focados em otimizar a vida dos gestores de escolas. Um deles é o gerenciamento de fornecedores, com marketplaces criados apenas para isso. Também há soluções para gestão de atividades extracurriculares, que ajudam a ampliar o leque de serviços ofertados pela instituição de ensino.

(*) Matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo, 28 de julho 2019.

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